Darcy Van Der Hallen, Seu Darcy, mais conhecido pelos zequianos, tem 92 anos, 1 a menos que o próprio São José, foi presidente do clube por 2 gestões e quem inicou as obras da sede atual. Zequinha doente, como ele diz, sempre que pode, ainda vai assistir aos jogos do time do coração. Casado pela 2ª vez com Dª Leticia, só tem um filho do primeiro casamento, 2 netos e 2 bisnetos. Nos concedeu uma entrevista, no jardim de sua casa, contando sua bela história com o Zequinha para ficar registrado aqui, sua paixão pelo clube. Site SJ: Seu Darcy, nos conte como começou sua paixão pelo futebol? Qual a sua história como Zequinha?
Seu Darcy: Ah, isso é um romance... meu 1º colégio foi aqui na Igreja São Pedro, devia ter uns 7 anos e o nosso recreio era no campo do São José, pois o campo era nos fundos do colégio, ali na Cristóvão Colombo e meu pai tinha o Cinema Colombo e era lá que se reunia o pessoal do São José, pois era tudo perto. Então desde aquele tempo, sempre convivi com o São José. Lembro que aos 8 anos pedi ao meu pai um distintivo do São José e tenho guardado até hoje. E assim foi passando, sempre acompanhando o São José até que em 1950, o presidente da época, era o Manoel Osório foi me visitar na minha fábrica de artefatos convidando para ser presidente do clube. Eu não queria aceitar pois tinha que cuidar dos funcionários, tinha muitos compromissos, também sou químico, mas ele insistiu e acabei ficando por 2 anos de presidente, em 51 e 52. Aí aconteceu que o prédio onde era nossa sede na época, estava comido por bichos, então tive que pedir licença para a Federação de Futebol do RS para podermos construir nossa sede, que é hoje, fui eu quem começou a construir. Então a Federação nos deu 6 anos. Quando completou o 6º ano, o presidente então disse: “Está pronto”. Em 1958, O São José iria começar a jogar novamente, pois havíamos ficado fora do campeonato durante este tempo e não tinha presidente de novo, pois o presidente na época não queria mais, e daí aceitei de novo. Fiquei em 58, 59 e 60, Entreguei para o Humberto Ruga em 1961. Então essa é a história do São José.... Site SJ: Então, a sede atual, foi construída na sua gestão? O São José já tinha o terreno para a construção da sede? Seu Darcy: Não, não foi na minha gestão, como eu me dava muito com o presidente da Federação naquele tempo, e eu era também do Conselho Fiscal da Federação Riograndense de Futebol, daí foi fácil para ele nos dar uns anos para construir a sede. Na minha gestão foi construído o 1º andar, depois foi com os outros presidentes que foram fazendo. Para arranjar dinheiro, a gente fazia festas e outras coisas. Então cada presidente que entrava, fazia um pedaço. Site SJ: O senhor foi jogador de futebol? Seu Darcy: Não, nunca fui jogador, só no colégio.... Nós participávamos de outras atividades, como o bolão que na época tinha bastante, mas quando era para jogar em campo, só de pensar que tinha que correr até a outra goleira, não queria isso não. Site SJ: O senhor sempre teve um cargo definido no clube? Participaste de outras gestões? Seu Darcy: Não, só como presidente, por 5 anos, em 2 gestões, depois sempre fui conselheiro, até porque, pelo estatuto, quem foi presidente, é conselheiro nato. Site SJ: Como era o futebol do Zequinha no período que o senhor foi presidente? Seu Darcy: Em 58 quando recomeçamos a jogar, eu contratei para treinador o Teté, que era do Internacional. O Dr. Sirângelo, que era sócio proprietário do São José e do Internacional também me disse que nós tínhamos que contratar o Teté, mas como não tínhamos dinheiro para pagar ele, que tinha ganho um campeonato no México recentemente, fomos na casa dele para falar com ele, que morava bem perto do campo do Internacional. E daí eu falei com ele que estávamos sem treinador, parados há 6 anos e que não tínhamos dinheiro para pagar, não éramos do porte do Internacional, então ele até achou graça e disse que aceitava, não sabia se por 2 anos ou mias, mas para nós, até um ano tava bom. Aí eu perguntei quanto ele queria ganhar, pois nós precisávamos saber... aí ele disse, que se o São José tirasse até o 4º lugar no campeonato, ele queria uma televisão de presente. Aí que quase desmaiei, pois nunca esperava ouvir isso dele. Aí o contratamos. No 1º treino dele, encheu de gente lá no São José, tinha repórteres, gente de todo lugar, foi uma festa. Depois no 1º jogo que tivemos, eu convidei o Grêmio para jogar uma partida amistosa, lá no campo do São José e foi outra festa, encheu de gente e sabe que empatamos a partida com o Grêmio! O pessoal me levantou para cima, fizeram aquela festa, imagina, empatar com o Grêmio, que era campeão naquele tempo. Aí depois viajamos por todo interior do estado, pois recebíamos muitos convites para jogar por causa do Teté, que era famoso. O Internacional também emprestou vários jogadores, nos ajudaram muito. Aí, depois em 60 não pude mais continuar, infelizmente a minha primeira esposa estava muito doente e eu tinha que cuidar dela, Então me ausentei por vários anos, mas sempre que dava eu ia nos jogos. Site SJ: Mas então, o Teté conseguiu chegar em que posição no campeonato? Seu Darcy: Sim, claro, conseguimos tirar o 3º lugar, daí demos a televisão para ele com todo prazer, mas a gente pagava um salário para igual, falei com o tesoureiro e dentro das nossas condições, ele ganhava um salário para treinar. Site SJ: Como o senhor se mantém para chegar aos 92 anos de idade? Seu Darcy: Trabalhando sempre, nunca tirei férias, sempre trabalhei. Eu sou químico e as fábricas de artefatos de borracha tem que ter um químico responsável e eu dava assistência para 6 fábricas e hoje ainda dou assistência para 4, duas em Porto Alegre, uma em Novo Hamburgo e uma em Cachoeirinha. Vou continuar trabalhando enquanto puder caminhar. Site SJ: Quais são seus ídolos no futebol? Seu Darcy: São José e acabou-se.... só São José. Site SJ: Como o Sr. vê o futebol brasileiro na atualidade? Seu Darcy: Como é diferente, a metade dos jogadores não ganhavam nada naquela época, jogavam por amor. Depois a coisa foi mudando e é o que se tem hoje. Site SJ: Hoje, o senhor costuma ir aos jogos do São José ? Seu Darcy: Imagina como eu fico nervoso nos jogos, pois eu não sou de gritar, fico mudo, os outros são de gritar, chamar o juiz de ladrão, eu não. Agora só vou nos jogos aqui, não tenho mais idade para viajar longe, mas antes eu ia muito nos jogos no interior, quando era presidente até de avião a gente ia, para Rio Grande, Pelotas, pois os times pagavam, eles queriam conhecer os nossos jogadores, o Bodinho, o Luizinho, o Teté. Faziam aquela festa quando a gente chegava, tinha foguetório, passeata. Site SJ: Qual a maior alegria que o São José já lhe deu? Seu Darcy: Ser presidente foi uma honra e sempre falar bem do São José. Site SJ: Qual foi o seu momento mais especial como torcedor do Zequinha? Seu Darcy: Quando fomos rebaixados para a 2ª divisão, em 1996, fomos jogar contra o Pelotas lá no Passo d’Areia e nós ganhamos, eu saí louco de lá. Tinha muita gente, muitos ônibus que vieram de Pelotas. Então foi um jogo que me marcou muito. Site SJ: Qual o seu recado para quem está chegando agora no Zequinha, seja jogador, dirigente ou torcedor? Seu Darcy: O São José cresceu muito; o que era o São José e o que é hoje, então tem que continuar crescendo. Site SJ: O que significa o São José para o Senhor, seu Darci? Seu Darcy: Hoje já não assisto muito futebol, só pela televisão, mas eu sou Zequinha doente. Lembro do Senhor Teixeira Neto, Presidente da Federação na época da inauguração da sede nova, disse no discurso dele: “O São José é como aquelas florzinhas de beira de estrada, vem a seca, a poeira, elas murcham e de repente vem uma chuva e elas voltam a florir”. E é isso que é o São José para mim.
Entrevista concedida em 09/08/2006 para Kátia Gauer.
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