Humberto Luiz Ruga, foi presidente do Esporte Clube São José na década de 60, exercendo dois mandatos no clube, em 1961/1962 e depois em 1965/1966.

Foi também presidente do Conselho Deliberativo do clube que mais ficou no cargo de 1972 a 1996.

Nos concedeu uma entrevista contando um pouco da história com o Zequinha que contou com a participação do Presidente da gestão atual, Sr. José Paulo Conceição Fernandes.

Site SJ: Nos conte como começou sua história com o São José?

Ruga: No final do ano de 1960 estava vencendo o mandato do Darcy Van Der Hallen que era o presidente na época e indicaram dois candidatos a presidente e acabou ficando só um, que era o meu falecido irmão José Ruga. Ele era colorado e eu não tinha clube na época, porque o meu clube tinha fechado, que era o Renner (fechou em 1957). O José ia casar em 1961 me pediu para ficar no lugar dele. Então fui a uma reunião do conselho do São José no qual o presidente do conselho era o prefeito em exercício, Manoel Osório da Rosa. Argumentei que meu irmão iria casar, não poderia ser o candidato e então, ele disse que gostou muito da minha conversa e disse que eu iria ser o candidato. Eu disse que nem era sócio do São José, então ele disse que isso se dava um jeito. Eu não tive como dizer não, era guri na época, tinha 24 anos. Falei com meus pais, eu era solteiro e como eu era diretor geral de esportes da FUGE, pois naquele tempo o esporte universitário era muito forte, inclusive fizemos a Universìade de 1963. Foi então que para livrar meu irmão desta, eu assumi a candidatura e convidei para vice presidente o Henrique Alber, o Ferrugem, que foi presidente da FUGE durante muitos anos e ele aceitou. Pensei comigo, bom, vamos contar com o apoio da FUGE, o São José tinha uma sede pequena, as arquibancadas eram de madeira, estava numa situação difícil. No dia da eleição, o Ferrugem, renunciou, disse que não queria ser candidato. Eu não conhecia nada do São José e aí me indicaram um companheiro, o Paulo Smânia, para ser meu vice-presidente, ele era fiscal do ICMS e mais o Milton Comim, companheiro dos bancos universitários e que mais tarde também veio a ser presidente do São José. Então foi assim. Assumi em 61, acabei invadindo o campo em Rio Grande, não cheguei a “dar” no juiz, mas disseram que eu “dei”. Levei uma suspensão de 1 ano. Naquela época era muito difícil jogar no interior. Mas continuei como presidente e fui reeleito, mesmo suspenso. O momento mais culminante dessa minha história foi quando o São José, para não ser rebaixado, o Sebastião, nosso ponta esquerda, fez um gol e daí não caímos. A situação do São José naquela época estava muito difícil, não dá nem para comparar com a de hoje, e o Saturnino Vanzelotti, que era o presidente do Almirante Barroso (clube de regatas) propôs a fusão do São José com o Clube de Regatas Almirante Barroso. Tive que assumir porque ninguém queria o ônus da fusão. Então fizemos a fusão com o Barroso. A fusão com o Barroso foi um mal negócio para o Barroso e também não foi um bom negócio para o São José. Foi mal negócio para o Barroso porque eles tinham outra mentalidade, espírito amadorista. Para nós do São José, fomos até beneficiados, por exemplo, a piscina que a Dona Lídia Mosqueti fez, que era uma grande benemérita da cidade. Mas na realidade o São José perdeu, perdeu o seu histórico do seu patrimônio que um dos superintendentes do Barroso botou toda a história do São José fora. Em 1965 tive que assumir a presidência do Conselho Deliberativo porque faleceu o Nestor Pereira que era o Presidente e numa reunião com mais de 500 associados, houve um empate e eu tive que dar o voto decisivo desmanchando a fusão. Houve tumulto, muita briga, foi horrível. Então, a partir daí o São José partiu para a vida própria novamente e assim aprendemos uma coisa: não dá para cruzar amador com profissional. Se o São José tivesse feito a fusão com o Cruzeiro que foi solicitada inúmeras vezes, teria sido mais benéfica do que com o Barroso que perdeu mais que o São José. O São José como tinha uma sede, ainda ficou melhor. Isso são algumas histórias, poderia contar muitas. Como do nosso zelador, o Sr. Frederico (falecido) que correu de facão atrás do juiz em Rio Grande porque ele tinha nos roubado com um pênalti que não existiu. São coisas do esporte que a gente pode ser fanático, mas não tanto.... nós do São José herdamos jogadores que o público só se lembra deles no Internacional, mas o Luizinho, o Bodinho, o Erci, o Ênio Andrade eram do São José. O Ênio Andrade que foi o maior treinador brasileiro, começou como jogador no São José e depois como treinador comigo, pois fui eu que o trouxe do Sport Club Recife em 1961 que ficou até 62 depois foi para o Novo Hamburgo e depois para o mundo.

Site SJ: O senhor lembra-se de algumas obras, de atividades que foram realizadas nas suas gestões?

Ruga: A construção das piscinas que começaram na minha gestão. Na época o São José era muito forte no bolão, que era um esporte que dominava em Porto Alegre e paulatinamente o bolão foi desaparecendo de todos os clubes. O São José chegou a ter 14 grupos de bolão. Tinha um CTG, que era o Sinuelo da Tradição, pouca gente sabe disso. Participei de inúmeras reuniões, carreteiros, festas que eles faziam.

Site SJ: O senhor foi jogador de futebol?

Ruga: Não, eu praticava esportes, mas sempre esportes universitários, joguei vôlei, fui presidente da Federação Gaúcha de Basquete, fui diretor da Federação Gaúcha de Vôlei, fui diretor de Árbitros da Federação Universitária Gaúcha de Esportes, a FUGE, em 1969 e depois fui diretor de árbitros da Federação Gaúcha de Futebol

Site SJ: Além de presidente, que outros cargos o senhor ocupou no clube? Participaste de outras gestões?

Ruga: Fui presidente do Conselho Deliberativo por 30 anos e fui vice presidente quando o Smânia foi presidente, também fui diretor de futebol. Participei ativamente mesmo até 1975, depois fiquei só na presidência do Conselho. Fui nomeado Patrono do São José e acabei com o título de Patrono porque eu acho que não cabe isso. É uma homenagem mas que nos tempos atuais não cabe mais. Não existe mais esse negócio de dono de clube. Era bom em outra época, quando a mentalidade era outra. O clube tem que se adequar com a mentalidade de hoje. Não gostaram muito que eu não quis ser patrono, mas acho que clube tem que ser clube.

Site SJ: O senhor chegou a participar do departamento de Veteranos?

Ruga: Sim, participei, joguei uma ou duas partidas, mas não tinha muito tempo, pois sempre atuei muito na área social, em creches, asilos, essas coisas.

Site SJ: Ainda no futebol, na sua época o São José conquistou algum título?

Ruga: Em 1971 que conquistou a Taça Governador do Estado eu era presidente do Conselho Deliberativo.

Site SJ: Quais foram ou são seus ídolos no futebol?

Ruga: Eu sempre gostei muito do futebol, jogo futebol até hoje, mas eu tenho 2 pessoas que são meus ídolos porque começaram no São José: o Ênio Andrade que foi o maior treinador brasileiro que começou como atleta e eu era torcedor do Renner em 1949 e o Gilberto Timm que foi o maior preparado físico, que também começou no São José, era lateral esquerdo. Então meus ídolos são os que saíram lá do São José mesmo.

Site SJ: Hoje, o senhor costuma ir aos jogos do São José?

Ruga: Não, desde que faleceu meu filho em 1998, eu não fui a mais nenhum jogo. Resolvi me afastar. Acompanho o futebol pela televisão, pelos jornais, mas resolvi não ir mais a jogo, nem para ver a seleção brasileira.

Site SJ: Qual a maior alegria que o São José já lhe deu?

Ruga: Acho que quantificar ou qualificar alegria não tem como, mas a alegria é que ele me tornou Zequinha. Poderia dizer que, 1961 foi o convite para ser Diretor do Internacional e não aceitei, pois eu estava na presidência do São José porque a mentalidade do São José era muito agregadora. Então acho que essa foi a minha maior alegria.

Site SJ: O Senhor é natural de onde? É casado, trabalhas com quê?

Ruga: Sou natural de Bento Gonçalves, vim morar em Porto Alegre com 11 anos. Sou casado, tenho um filho e uma filha do primeiro matrimônio da minha esposa que considero uma filha, pois criei. Tenho uma netinha, que é minha paixão. Atuo muito na área social, hoje tenho 16 cargos, desde a presidência da Fundação Pronto Socorro, sou presidente do Conselho das Parceiros Voluntários e outros. Mas gosto de atuar na área social, acho que tenho muito que contribuir para aqueles que mais precisam.

Site SJ: Qual o seu recado, a sua mensagem para quem está chegando agora no Zequinha, seja jogador ou dirigente?

Ruga: Acho que o São José é um clube diferente, muitas pessoas passam por lá sem serem Zequinha. Não gosto que as pessoas vão lá para se aproveitarem do Esporte Clube São José, para se promoverem. Acho que quando você está num clube tens que assumir com o coração, não só dizer de uso externo. O fundamental é que tu tenhas este clube no coração. Então meu recado é que aquele que chegar ao São José trate e respeite o São José com o coração.

 

 

 

Finalizando o Presidente José Paulo Conceição Fernandes entregou ao Sr. Humberto Ruga a carteira de Conselheiro do Clube.

 

 

 

 

 

 

Entrevista concedida em 31/03/2008.

 

Veja outras entrevistas concedidas exclusivas para o site do São José.

 

 

L A N Ç A M E N T O

Camisa Passeio do Esporte Clube São José por R$ 35,00 na secretaria.
Promoção de Títulos

Informações na secretaria do Clube pelo fone: 3341-3200
Publicidade
© 2006 Copyright   |   Esporte Clube São José   |   Av. Assis Brasil, 1200 - Porto Alegre/RS  |  Fone: (51) 3341-3200 Créditos