Wilson Schmidt, Seu Schmidt, mais conhecido pelos zequianos, tem 85 anos e uma longa ficha histórica no São José: foi presidente do clube por 3 gestões, um dos fundadores do Departamento de Veteranos do São José e Patrono dos Veteranos em 05/06/1989, fundador das escolinhas do clube em 1978, Conselheiro Nato do Clube desde 1966. Foi nas suas gestões que inciaram as obras do pavilhão social e do ginásio de esportes, bem como a construção das piscinas. Schmist possui também uma coleção de troféus e distinções que faz questão de doar ao departamento cultural do São José para que sirva de história para os que queiram saber mais do Zequinha. O Sr. Schmidt nos concedeu uma entrevista em sua casa, na zona norte da capital, onde na oportunidade, o presidente do São José, Sr. Conceição, entregou-lhe a nova carteira de Conselheiro do clube. Veja abaixo, uma parte da entrevista:
Site SJ: Qual a sua história como Zequinha? Conte-nos como começou sua paixão pelo futebol? Schmidt: Conheço o São José desde que ele veio para o Passo d’Areia em 1940. Sou sócio do clube desde 1951, quando já jogava nos veteranos do clube. Fiz parte da organização do Departamento Amador da Federação Gaúcha de Futebol que não existia na época, pois só tinha o profissional e o juvenil, não tinha um intermediário. Eu e o Darci (Darcy Van Der Hallen, ex-presidente ) que criamos o departamento. O Professor Mário Júnior do Correio do Povo era nosso dirigente, no Edifício da Paineira na Siqueira Campos e foi assim que criamos o primeiro Campeonato Amador de Futebol de Porto Alegre. Em 1986 fomos jogar na Argentina, em Buenos Aires, com a escolinha, categoria 75, 76 e 77, retribuir uma visita do Quilmes Atlético Clube, time de lá e ganhamos o campeonato. Site SJ: O senhor foi jogador de futebol? Schmidt: Sim, joguei futebol amador em 1940 e nos veteranos do São José, joguei 30 anos, de 1950 a 1980. Inclusive ajudei a fundar o Departamento. Jogava na várzea, em campeonatos varzeanos. Parei de jogar futebol tinha quase 60 anos. Me consideravam, na época um bom jogador, não era nenhum perna-de-pau não. Site SJ: Qual era a posição que o senhor jogava? Schmidt: Fui zagueiro central e também fui quarto-zagueiro. Site SJ: O senhor se lembra de algum título, de campeonatos que ganhou como jogador? Schmidt: Muitos, fui campeão da Cidade, fui campeão da Várzea do Passo da Mangueira, fui campeão do Navegantes. Todos os títulos foram importantes. Site SJ: Sempre tiveste um cargo definido no clube? Participaste de outras gestões? Schmidt: Sim, sempre participava, como dirigente do clube. Fui diretor de futebol, presidente e sou conselheiro nato, do conselho deliberativo do clube. Site SJ: O senhor chegou a ser diretor do departamento de Veteranos? Schmidt: Sim, fui diretor, fui secretário, fazia as atas. Francisco Lanzelotti e João Elustondo Filho foram dirigentes também. Site SJ: Como era o futebol do Zequinha no período que o senhor foi presidente? Schmidt: Na gestão antes de mim, em 78, o São José tinha caído para a 2ª divisão. Aí eu comandei o São José na 2ª divisão e fomos campeões do Estado. Nós conquistamos o título em Rosário do Sul contra o Uruguaiana. Os jogos eram normalmente no interior do estado. Sempre viajava junto. Em 10 de outubro de 1988 eu fundei a Escolinha do São José. No primeiro jogo tínhamos 30 meninos. No segundo, já tinha pulado para 50. E assim foi crescendo. Chegamos a ter 15 equipes na escolinha, inclusive, uma equipe foi toda para o Grêmio, até o Carlos Miguel, que começou aqui, tinha apenas 6 anos na época. Site SJ: O senhor lembra-se de algumas obras que foram feitas nas suas gestões como presidente? Schmidt: Ah, sem dúvida, fui eu que comecei as obras do pavilhão social do São José e o ginásio de esportes. No início estava previsto fazer uma entrada para automóveis lá por traz do campo e iria cortar quase 4 metros do campo só para entrar carros ali. Ai eu pensei e refiz o planejamento. Daí foi ali que construí o ginásio do clube. Também foi na minha gestão o início das obras da piscina grande. Já tinham escavado 50 metros de comprimento da piscina que era o projeto inicial. Aí achei que seria uma obra muito grande, então alterei o projeto para a metade, de 25 x 22 metros, como ela é hoje. Comprei todo o maquinário para as piscinas e o piso anti-derapante. Também renovei a grama do estádio por várias vezes. Site SJ: Quais foram ou ainda são seus ídolos no futebol? Schmidt: No São José, não tive um ídolo, foi o Zequinha que teve: João Elustondo Filho – maior jogador de futebol que o São José já teve. Mas conheci outros: Vitório Mabília, também jogou no Vasco da Gama; o Zica era um excelente jogador. Francisco Lanzelotti, jogamos juntos por mais de 30 anos no departamento de veteranos. Site SJ: Hoje, o senhor costuma ir aos jogos do São José? Quando o senhor vai ao Estádio Passo d’Areia, como é recebido pela torcida do Zequinha? Schmidt: Mas é claro que vou. Hoje, a maioria que freqüenta as arquibancadas do São José não me conhece, é bastante gente nova. Mas eu vou lá como torcedor que sou do Zequinha sempre que posso. Site SJ: Qual a maior alegria que o São José já lhe deu? Schmidt: Nossa, foram tantas, praticamente, no plano esportivo, só tive alegrias, dentro do São José. Não me lembro de alguma coisa que viesse a me dar desconforto. O único pesar que tive foram os amigos que perdi lá, que já se foram. Isso é a única coisa que me lembra e me dá muita saudade. Site SJ: O que significa o São José para o Senhor? Schmidt: Significa tudo que eu possa querer de bom ou já ter querido passar na vida. Pelas amizades que eu tive lá, pelo tempo que joguei futebol lá. Tudo de bom que passei na minha vida foi lá dentro do São José. Site SJ: O senhor faz algum exercício físico? O que mais gosta de fazer? Schmidt: Eu caminhava muito até pouco tempo atrás, mas agora caminho pouco, faço alguns exercícios com equipamentos que tenho na garagem para alongar a musculatura. Site SJ: Quantos anos o senhor tem? É casado? Schmidt: Tenho 85 anos, nasci em 07/11/1921. Sou casado com a Gertrudes há bastante tempo. Tive um filho que perdi há pouco tempo, com 58 anos, num acidente de carro. Era médico. Me deixou 1 casal de netos. Site SJ: O senhor tinha outra profissão além de jogador de futebol? Schmidt: Sim, fui contabilista, trabalhei na CEEE até me aposentar Site SJ: Qual o seu recado, a sua mensagem para quem está chegando agora no Zequinha, seja jogador ou dirigente? Schmidt: Tenham muita paciência.
Entrevista concedida em 27/04/2007 para Kátia Gauer.
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