Entrevista com o Roupeiro do São José

Entrevista feita com o roupeiro responsável pelo material dos atletas profissionais do São José há 10 anos.

Veja a entrevista:

Ficha:

Nome: José Silon Strack

Apelido: Silon

Local nascimento: São Leopoldo/RS

Data nascimento: 28/02/1948

Site S.J.: Qual a sua história com o Zequinha? 

Silon: Eu trabalhava na base de um clube lá em Canoas e era funcionário da Varig. Depois quando terminaram com o quadro de funcionários da Varig fui trabalhar numa terceirizada e por intermédio dessa terceirizada fui trabalhar neste clube em Canoas. Lá eu conheci um funcionário e que fez parte do São José que me indicou para trabalhar aqui, pois precisavam de um funcionário de respeito, de honestidade na área do futebol. Foi quando esse conhecido me indicou, o nome dele é Guido Anselmo Esteves, eu sou muito grato a ele por estar hoje no São José. Gostaria de agradecer a ele, nesta entrevista, porque aqui ficou sendo praticamente a minha casa. Eu vim trabalhar no São José em 1999 e aí eu fiquei morando no clube por uns 2 anos. Eu tinha minha residência em Canoas, mas o presidente me pediu que ficasse morando aqui porque na época não tinha um vigia, ficava tudo meio abandonado, pois o caseiro tinha falecido. Depois, os anos foram passando e eu comecei a compartilhar com o grupo dos Veteranos e foi quando eu conheci o nosso presidente de hoje, onde ele era o responsável pelos Veteranos e aí a nossa amizade foi se desdobrando no dia a dia e foi passando presidente, foi trocando diretoria. Hoje tenho muito a agradecer ao presidente Conceição porque ele é franco, é aberto com minha pessoa, particularmente ele já foi um conselheiro para mim, numa época difícil da minha vida eu pedi um ombro para ele. Mas é assim, eu sou assim, às vezes sou um cara ranzinza lá no meu setor de trabalho porque eu gosto de ver a coisa andar. Hoje tenho 61 anos de idade, nunca cheguei atrasado ao São José, nunca faltei, aliás, a única falta que eu tive foi quando eu perdi o meu pai. Sempre que posso, participo de almoços, bailes e jantares do clube porque isso aqui é a minha casa.

Site S.J.: Quais as funções que o senhor exerce no clube?

Silon: Minha função no São José era unicamente lidar com o material esportivo, as camisetas de treino, as de jogo do time profissional, era um cuidado semanal. Depois com o passar dos anos, com a demissão de um funcionário que cuidava do gramado eu assumi a responsabilidade pelos cuidados do gramado e faço isso até hoje. Tenho várias funções dentro do clube, mas não me queixo, para mim é prazeroso estar fazendo aquilo que eu gosto. Estou aqui e o que eu faço, eu gosto.

Site S.J.: Já trabalhaste em outro clube antes?

Silon: Trabalhei só lá em Canoas, no Esporte Clube Sulamérica que naquela época disputava o metropolitano porque meu filho jogava lá e aí acabei me envolvendo com o futebol.

Site S.J.: O que representa o futebol na sua vida?

Silon: O futebol na minha vida é um pedacinho de mim porque eu sou apaixonado por futebol. Eu joguei bola há alguns anos atrás e tenho uma tristeza comigo porque fraturei uma tíbia e o perônio e não pude mais dar continuidade no futebol. Joguei futebol por um tempo na Chapecoense.

Site S.J.: Qual o momento mais marcante na sua vida, em relação ao futebol?

Silon: O meu momento mais marcante foi aqui dentro do São José exercendo as funções, aquela empolgação de a cada ano almejar, conseguir conquistar um título. Isso é prazeroso para mim, trabalhar com o grupo, com a comissão técnica. O momento mais marcante para mim foi em 2007 quando chegamos mais próximos da final do campeonato gaúcho daquele ano. Também numa entrevista que dei para o Jornal Diário Gaúcho onde eles me pegaram de surpresa. Isso me deixou muito feliz, pois nunca ninguém tida feito antes uma entrevista comigo.

Site S.J.: E qual foi o pior momento dentro do clube?

Silon: Tem alguns resultados que nos deixam magoados, como o ano passado quando fomos jogar em Santa Cruz, onde estávamos classificados e voltamos de lá desclassificados, onde tudo deu uma virada e me fez cair em lágrimas. A gente se empolga com tantas coisas, trabalha sempre pensando em ser gratificado de alguma maneira, mas as vezes não dá.

Site S.J.: Um jogo inesquecível do São José?

Silon: Foi um jogo pelo Gaúchão contra o Grêmio lá no Olímpico quando o Danrlei era nosso goleiro e na hora que ele estava em campo sendo ovacionado pela torcida do Grêmio, eu entrei para levar para ele a braçadeira de capitão, ele me pegou e me puxou junto com ele na frente da torcida do Grêmio e todos me olhando, as câmeras me focando, aquilo foi demais para mim, foi uma enorme emoção.

Site S.J.: Como é a sua rotina no clube quando tem jogo?

Silon: Na véspera do jogo, da viagem, já me antecipo com todo o material que temos que levar, os cases ou container, onde já tenho todo o material relacionado, as camisas nas 3 cores, as chuteiras, chinelos, meias, caneleiras. Isso nada pode faltar, a responsabilidade do atleta entrar em campo bem uniformizado com tudo que precisa, isso é tudo minha. Também tenho que levar roupa aquecida, equipamentos para chuva, frio, o quadro tático do treinador, capas de chuva, botas. Com o gramado, antecedendo a um jogo, tem que dar um corte, tem que ver se precisa deixar ele mais úmido, se é dia de jogo que o treinador quer um jogo mais rápido tem que fazer um corte de acordo para a bola ser mais rápida.

Site S.J.: O que são feitos com os uniformes a cada troca de patrocinador?

Silon: Cada ano que encerra um campeonato, esse material volta todo para o almoxarifado, onde faço os fardos com as numerações, relaciono tudo, se faltam camisas. Tenho um controle meu onde identifico, por exemplo, tal dia o jogador doou a camisa dele para um torcedor, então este fardamento ficou incompleto, daí temos que repor ela. Se uma camisa está rasgada, com algum problema que não tem mais condições de o jogador usá-la, daí ela é doada para instituições. Mas a maioria do material é acondicionado para ser usado no ano seguinte, ou pelo Juvenil ou pelos Juniores. Todo ano o fardamento do profissional é modificado.

Site S.J.: Considerações que queria deixar para os torcedores:

Silon: Olha uma coisa que é gratificante para mim em dias de jogos, é quando a torcida dos Guaipecas, que ficam atrás da goleira, eles vem colocar as faixas, eles me ovacionam quando eu apareço no campo, gritam meu nome. Mas o que tenho mais para agradecer é ao nosso presidente pela posição que ele me dá aqui dentro do São José, pela pessoa dele, hoje sou muito grato de estar aqui presente dando essas informações para divulgar mais o nosso São José.

 

Entrevista concedida em 05/09/2009 para Kátia Gauer.

 

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