Carlos Luis Medeiros Vasques, capitão do time Campeão da Copa Governador do Estado em 1971, casado há 34 anos, com 5 filhos, professor de educação física, falou em um entrevista exclusiva para o site sobre sua carreira e sua forte realção com o São José.
Site SJ: Nos conte como foi a sua carreira, desde os primeiros dias até hoje. Vasques: Eu sempre me dirigi ao futebol, desde menino, gostava de jogar futebol, morava aqui perto do São José, estudei no Colégio Benjamin Constant e depois fui para o colégio São João que foi onde comecei a jogar em 1967, quando o Abílio dos Reis passou lá no colégio São João e me levou para o Internacional onde fiquei até março de 69. Como eu tinha muita amizade pelo Cará, que já jogava aqui no São José, ele me convidou para jogar aqui em setembro de 69, eu tinha na época, 20 anos. Eu vim com ele, treinei e o treinador na época era o professor Clécio Zanque, não sabia se iria ficar comigo, pois já era perto do fim do ano. Aí teve um jogo contra o Metropol, em Criciúma. Ganhamos de 2x1, ele viu me jogo e fizemos contrato. Em 1970 teve o campeonato, mas não fomos muito bem, fiquei chateado. Em 1971, o São José fez um ótimo time com o Sr. Pedro Figueiró, que era treinador. Nós ficamos em 3º lugar no Campeonato Gaúcho. Depois ele foi para o Flamengo de Caxias e até queria me levar, mas como eu tinha contrato com o São José, não fui. Então fomos Campeões da Copa Governador do Estado do RS, que tirava a dupla Grenal, em cima do Flamengo que era o Figueiró que treinava, mas com muito trabalho base dele. Era muito forte mesmo. Nessa época se criou um laço de amizade muito forte entre eu e o Sr. Figueiró, que me deu muita força, me levou fazer vestibular para Educação Física lá no Ipa, até estava com o pé quebrado, mas ele me apoiou muito. Até depois que eu casei, ele me emprestou um apartamento para eu morar. Depois que me formei o Prof. Clécio arrumou lugares para eu dar aula. Então são pessoas que só tenho a agradecer, pois sempre estiveram do meu lado. O São José sempre teve disso, é muito família, um ajuda o outro. Até o Sr. Frederico que morava aqui e a esposa dele, Dona Otília, foram pessoas que muito fizeram por mim, muito importante mesmo. Tudo o que eu sou hoje eu agradeço muito as pessoas que faziam parte do São José. Mesmo se estiver esquecendo de alguém, peço desculpas, mas esses foram os que marcaram muito. Joguei no São José até 1976, depois fui emprestado para o Sport de Recife, não me adaptei por lá, então voltei para cá e decidi parar de jogar futebol. Depois ainda fui treinador do São José em 1980 e 81, quando fomos Campeões da 2ª Divisão Estadual. Depois em 85 e 86 fui para o Internacional e encerrei a carreira lá como preparador físico. A partir daí, continuei a dar aula de educação física, que é a minha formação. Site SJ: Qual foi o seu gol inesquecível? Vasques: Em 1971, num jogo contra o Floriano, que hoje é o Novo Hamburgo, aqui no estádio Passo D’Areia. Saíram ganhando de nós por 1 x 0, gol do Jorge Tabajara, que jogou no Grêmio, na intermediária da área. Aí o Marquinhos, era nosso goleiro, estava muito chateado, pois uns achavam que era frango dele, até brigou com o Pedrinho no intervalo, que era o nosso treinador, foi uma confusão. No 2º tempo, aos 44 minutos, deu uma confusão na área e a bola sobrou e eu dei um chutão de bico e fiz o gol. Aí empatamos o jogo. Eu saí correndo e fui até a outra goleira para dar um abraço no Marquinhos, pois sabia que era importante para nós e para motivar ele a continuar, pois ele era muito meu amigo. Eu sabia, que se nós perdêssemos o jogo, o Prof. Pedrinho iria tirar o Marquinhos do gol, então “salvei” ele e foi o gol que mais me marcou por tudo isso que aconteceu. Site SJ: Quais são seus ídolos no futebol? Vasques: O Cará, que era meu amigo desde guri, jogava muito bem futebol, o Dorinho, que jogou aqui no São José e no Internacional, era excelente jogador; o Carlos Miguel (pai); o Paulo César Carpegiani, jogamos juntos no juvenil do Internacional; o Falcão, joguei contra ele, eu estava no São José, era muito difícil de marcar ele; o Alcindo, do Grêmio, muito bom jogador. Site SJ: Que jogos não saem de tua memória? Vasques: Esse jogo contra o Floriano em 1971 e o jogo contra o Flamengo de Caxias, que o Prof. Pedrinho era treinador deles, na Copa Governador, em Caxias, onde empatamos em 0x0, pois aqui já havíamos ganhado por 2x0 e empate lá para nós servia. Deu uma confusão no final do jogo que tivemos que sair no camburão da Brigada Militar, e também quando eu fui Campeão em 1981, da 2ª Divisão, como treinador do São José. Site SJ: Qual a posição que jogava? Vasques: Era meio de campo. Site SJ: Além de você, quais os outros craques com que jogou? Vasques: No time de 1971, tinha o Valdocir, o Marcos que era goleiro, o Carlos Miguel, o Valdir que jogou no Internacional e era reserva do Carlos Miguel, o Paulinho, o Nei, o Renato, o Roberto Fernandes, que era reserva, o Adilson, o Frazão, o Gilnei, o Cará. Era um time muito forte mesmo. Site SJ: Qual é o melhor clube para você já jogou? Vasques: Foi o Internacional, pela estrutura que eles têm, mas sem o São José, eu não seria nada. Site SJ: Como você vê o futebol brasileiro na atualidade? Vasques: Mudou muito, acho que o que mais mudou foi na parte da preparação física, acho que aí está o diferencial do futebol hoje. Quando eu trabalhei como preparador físico no Internacional, era eu e um auxiliar. Hoje se você for num clube como Inter, o Grêmio e o próprio São José, tem o preparador físico, o auxiliar do preparador, um médico, o preparador de goleiros, fisioterapeutas, é toda uma equipe de trabalho muito grande. Não falando da técnica, mas a preparação física se sobressai muito. Hoje se dá um drible e já tem outro atrás de ti, é tudo muito rápido, os “caras” tem que correr muito. Na época do Pelé, um jogador como ele, não tinha toda a preparação física que tem hoje em dia e como ele jogava, chutava bem com as duas pernas, cabeceava bem, tinha força, dificilmente caía. Então o diferencial hoje no futebol, para mim, chama-se preparação física. Site SJ: Como você mantém em forma atualmente? Ainda pratica esportes? Vasques: Hoje sou aposentado mas continuo trabalhando, dou aula de educação física no Colégio São João. Acho que o esporte vale tudo. Só jogar que não jogo mais. Site SJ: Nos momentos livres, o que gosta de fazer? Vasques: Curto muito a minha família, dou um valor muito forte para ela. Tenho 5 filhos: 4 meninas e 1 rapaz. Eles estudam, trabalham. Sou casado há 34 anos. Então, hoje, me dedico muito a minha família. Site SJ: Fique à vontade para tecer seus comentários! Ficamos muito agradecidos com sua contribuição ao site do São José. Vasques: Acho que hoje mudou muito, tudo muda né... mas desde nossa época para hoje, mudou muito, desde a estrutura (vestiários, pavilhões) mas é bem melhor que na minha época. Agradeço muito ao São José, sou Zequinha mesmo, porque foi o que me deu a base, a estrutura, as pessoas que trabalhavam aqui, sempre foram muito meus amigos, me ajudaram muito. Então só tenho a agradecer mesmo.
Entrevista concedida em 13/07/2006 para Kátia Gauer.
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